Eterno filho bastardo do Metallica, o Megadeth
nasceu quando a bebedeira do guitarrista Dave Mustaine foi demais para
os outros integrantes, que o mandaram embora. As duas bandas tiveram os
dias de glória no boom do thrash metal nos anos 90, mas o Metallica foi
mais longe porque conseguiu converter ao menos uma música – “Enter
Sandman” – num produto pop, sem perder o peso jamais. É o que o Megadeth
vem tentando nos últimos tempos. “Cada disco nosso tem grandes músicas e
grandes riffs, mas esse é o momento de trazer de volta as melodias
colantes e quase pop, riffs mais simples e divertidos, como temos em
‘Public Enemy N º 1’”, diz o baixista Dave Ellefson, por telefone. Ele
se refere ao primeiro single do novo álbum, “Th1rt3en”, que tem ainda
outros chicletes apropriados para o hit parade, como “Whose Life (Is It
Anyways?)”, “Black Swan” e “New World Order”.
No show que faz no Brasil este mês, dentro do SWU, no entanto, o
grupo não deve deixar de lados os sucessos da era de ouro do thrash.
“Queremos mostrar o novo álbum, vamos fazer duas ou três músicas novas,
mas os fãs do Megadeth querem ouvir os clássicos”, avalia o baixista.
“Temos umas 20 músicas que todos querem no show, incluindo ‘Holy Wars’,
‘Hangar 18’, ‘Symphony of Destruction…”, completa, dando dicas do
repertório a ser tocado em Paulínia. A vinda da banda ao Brasil estava
ameaçada desde que Mustaine teve que ser operado, em setembro, para
resolver um problema na coluna, na altura do pescoço - seria o resultado
de 30 anos e “bateção” de cabeça? –, mas deu tudo certo. “Ele está em
boa forma agora, acabamos de gravar o clipe de ‘Public Enemy N º 1’”,
tranquiliza Ellefson. Completam a formação atual Chris Broderick
(guitarra) e Shawn Drover (bateria).
O baixista, integrante da formação original, estava afastado dede
2002 e chegou a brigar na justiça com Mustaine por direitos autorais,
mas foi reintegrado no ano passado. “Já resolvemos tudo, temos uma
história juntos e não podemos ter medo de cair nessas armadilhas”. Os
fãs das antigas ainda clamam pela volta do guitarrista Marty Friedman e
do baterista Nick Menza, que junto com Dave e David, eram a formação
clássica do Megadeth. “Eu não vejo isso acontecer. Nada é impossível,
mas muitos acham que o Megadeth está em melhor forma agora”, diz
Ellefson. “O meu lema é: se funciona, não quebre nem não conserte”.

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